
O tricô atravessa gerações, mas vive hoje um novo momento. Antes associado ao universo doméstico e às peças de inverno, o material ressurge como linguagem criativa que conecta moda, design e arquitetura contemporânea.
Mais do que técnica, ele carrega tempo, gesto e memória – atributos que ganham ainda mais relevância em um cenário marcado pela aceleração digital. Entre tradição e inovação, o tricô se reinventa em diferentes escalas: do corpo aos espaços.
Para refletir sobre esse movimento, convidamos o estilista Marcelo Sommer (@marcelosommer) e o arquiteto Celso Rayol (@celsorayol), que analisam como o material se transforma e amplia suas possibilidades no presente.
O TRICÔ COMO LINGUAGEM CONTEMPORÂNEA

Se antes era visto como algo nostálgico, hoje o tricô assume um novo papel: o de traduzir uma estética que valoriza o feito à mão, a imperfeição e a identidade. Ao mesmo tempo, ele dialoga com tecnologia, novas técnicas produtivas e aplicações que vão além do vestuário – ocupando também o design de interiores, o mobiliário e até a arquitetura.
UM OLHAR PARA A MODA

Marcelo Sommer
“O tricô não pertence mais apenas às vovós nem aos dias frios. Ressurge contemporâneo, em peças para todas as estações do ano”
A volta do tricô na moda está diretamente ligada a um movimento emocional. Mais do que tendência, ele representa um gesto de reconexão com o tempo e com o fazer manual. Cada peça carrega singularidade: há beleza na irregularidade dos pontos e identidade em cada trama. O material evoca memória afetiva – de casa, de família, de cuidado – mas se atualiza ao ganhar novas formas e usos.

Hoje, o tricô extrapola o vestuário tradicional. Está presente em acessórios, objetos e composições que transitam entre o casual e o sofisticado, consolidando-se como elemento versátil e atemporal no guarda-roupa contemporâneo.
UM OLHAR PARA O DÉCOR

Celso Rayol
“Em tempos de hiperconexão digital, o tricô retorna como uma resposta ao desejo de desacelerar e se reconectar – com o lar, com as mãos, com o tempo”
No design e na arquitetura, o tricô aparece como uma linguagem que une passado e futuro. Seu caráter artesanal convive com processos tecnológicos, ampliando as possibilidades de aplicação.

O material ganha escala, estrutura e função: surge em instalações, superfícies e elementos construtivos que exploram leveza, flexibilidade e desempenho sustentável.
Ao transitar entre moda, design e arquitetura, o tricô evidencia um movimento maior – o de resgate do sensível aliado à inovação. Em um cenário de constante transformação, ele aponta caminhos para uma produção mais consciente, experimental e conectada com o tempo presente.
DO ARTESANAL À TECNOLOGIA

Seja nas passarelas, seja nos espaços construídos, o tricô deixa de ser apenas técnica para se tornar linguagem. A combinação entre saberes tradicionais e novas tecnologias – como processos industriais avançados e até aproximações com a impressão 3D – abre caminho para usos cada vez mais inovadores.
Mais do que tendência, o tricô se firma como expressão contemporânea que traduz uma busca coletiva: desacelerar, sentir e criar com mais intenção.




