Love it: 7 peças de design que reafirmam o diálogo com a arte

Entre memória, matéria e gesto, esses lançamentos revelam como o design contemporâneo brasileiro amplia suas narrativas ao transitar entre arte, ancestralidade e experimentação
Entre materiais naturais, memória afetiva e experimentação formal, os lançamentos reunidos nesta edição revelam o design brasileiro como expressão artística e narrativa cultural | Fotos: Victor Lucena; Edouard Fraipont; e Dani Neves/Divulgação

Do couro moldado manualmente às luminárias que traduzem franzidos em luz, os novos lançamentos de designers brasileiros exploram o design como território de expressão cultural, memória afetiva e investigação estética. Em comum, as peças reunidas nesta seleção desafiam funções puramente utilitárias para propor objetos que evocam histórias, resgatam saberes e transformam materiais em narrativas visuais.

ROBUSTEZ E SUTILEZA

Coleção de mesas laterais Seixos, de Pedro Galaso, combina madeira maciça Pequiá e pés em acrílico para criar um contraste entre robustez e leveza | Foto: Divulgaçãos

Com um design único e atemporal, a coleção de mesas laterais Seixos, de Pedro Gallasso (@studiogallasso), ressalta a harmonia entre o peso do passado e a transparência do presente. A base de madeira maciça Pequiá revela a força e autenticidade do material natural, enquanto os pés de acrílico sugerem um efeito de flutuação, adicionando sofisticação e leveza.

FORÇA ANCESTRAL

Produzido de madeira e latão, o centro de mesa Zenir, de Philipe Fonseca, homenageia a força e a dignidade de mulheres negras lavadeiras | Foto: Divulgação

Conceitos de ancestralidade e afrobrasilidade orientam o processo criativo do designer Philipe Fonseca (@philipefonseca_), resultando em peças que evidenciam a riqueza das heranças culturais brasileiras. Produzido de madeira e latão, o centro de mesa Zenir presta homenagem à força e à dignidade de uma mulher negra lavadeira, que sustentou os filhos equilibrando fardos sobre os ombros.

NUANCES DE LUZ

Inspirada no gesto do cós da costura, a coleção Cós, do Estúdio Dentro, transforma dobras e franzidos em luminárias de luz suave e difusa | Foto: Divulgação

Criação do Estúdio Dentro (@estudiodentro), a coleção Cós apresenta luminárias de piso, pendentes, abajures e arandelas desenvolvidas em algodão reciclado, PET e tiras de latão. Inspirada no gesto do cós da costura, a linha traduz dobras e franzidos em um desenho luminoso que suaviza a claridade e revela diferentes nuances. Um projeto que conecta tradição artesanal, memória afetiva e design contemporâneo.

PASSADO PRESENTE

Inspirada no ofício artesanal das selas pantaneiras, a cadeira Soleta, de Gabriel De La Cruz, é produzida a partir de uma única lâmina de couro moldada manualmente | Foto: Victor Lucena/Divulgação

Ao revisitar a infância no Pantanal, o designer Gabriel De La Cruz (@studio.delacruz) encontrou no ofício artesanal das selas dos cavalos a inspiração para criar a cadeira Soleta. Produzida a partir de uma única lâmina de couro, moldada com água quente, vapor e conformação manual, a peça ganha encosto ergonômico que se fixa diretamente à base de madeira maciça. O resultado é um objeto que conecta os saberes ancestrais à linguagem contemporânea do design.

PAISAGENS TECIDAS

Na coleção Vista Botânica, Ju Amora transforma fragmentos de tapetes em composições inspiradas em paisagens vistas do alto e desenhos orgânicos da natureza | Foto: Dani Neves/Divulgação

Do gesto de observar a natureza de cima, como quem lê uma escrita orgânica, nasce a coleção Vista Botânica, parceria da Ju Amora (@ajuamora) com a By Kamy Verde. A partir de fragmentos de tapetes, a designer reinterpreta projetos paisagísticos com uma linguagem visual única, que convida à contemplação.

JOGO DE CENA

No Tríptico Pierrot, Bianca Barbato combina espelhos bronze, fumê, cristal rosé e prata em uma composição que revela múltiplos reflexos ao se abrir | Foto: Edouard Fraipont/Divulgação

No Tríptico Pierrot, o reflexo ganha novas dimensões em recortes de espelhos bronze, fumê, cristal rosé e prata. Revestida de folha de pau ferro e contornada por moldura em latão, a peça de Bianca Barbato (@bianca_barbato) repousa discreta quando fechada, mas revela cenas que se multiplicam ao se abrir.

CADÊNCIA

Inspirado no ritmo do trabalho manual e na cultura vernacular brasileira, o carrinho Arado, do Estúdio Simbiose, combina aço, madeira, cortiça e pedra natural | Foto: Divulgação

O carrinho Arado, do Estúdio Simbiose (@esimbiose), nasce da memória de um tempo em que o trabalho humano seguia o ritmo da natureza. Feito de aço, madeira, cortiça e pedra natural, resgata a simplicidade vernacular e celebra a cultura brasileira.

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