
Dos chapéus que atravessam gerações às tramas artesanais presentes em tantas casas brasileiras, a palha carrega a força do simples, do manual e do ancestral. Entre a moda e a decoração, o material estabelece um diálogo entre o natural e o sofisticado, o rústico e o contemporâneo – revelando como elementos tradicionais seguem ganhando novos significados no design atual.
Versátil, tátil e profundamente ligada à cultura brasileira, a palha ultrapassa o aspecto funcional para se tornar linguagem estética. Em acessórios, mobiliários, luminárias ou revestimentos, ela adiciona textura, acolhimento e autenticidade aos espaços e aos modos de vestir.
Para refletir sobre essa presença cada vez mais forte no universo criativo, convidamos a estilista Cecília Prado (@ceciliaprado_oficial) e o arquiteto Gabriel Rosa (@gabrielrosarq) para compartilhar seus olhares sobre o material e sua relação com identidade, memória e contemporaneidade.
Um olhar para a moda

Diretora criativa da marca que leva seu nome, Cecília Prado é apaixonada por moda com propósito e atua em iniciativas sociais e ambientais voltadas ao impacto positivo da indústria criativa.
Para ela, a palha representa uma estética conectada à autenticidade e ao fazer manual. “Sempre que olho para a palha, lembro da força que existe no simples. Esse material, tão presente na nossa história, revela uma beleza que vai além da forma: fala de resistência, de memória e de pertencimento”, afirma.

Nos acessórios de moda, a palha ganhou protagonismo ao trazer frescor, leveza e naturalidade para o vestir contemporâneo. Bolsas estruturadas ou de shapes orgânicos, chapéus, viseiras, sapatos delicados e até cintos artesanais revelam como o material consegue equilibrar rusticidade e sofisticação.
Segundo Cecília, incorporar elementos de palha ao visual é também adicionar textura e movimento às produções, criando uma estética mais orgânica e despretensiosa, mas ainda elegante.
Um olhar para o décor

Expoente da nova geração da arquitetura brasileira, Gabriel Rosa foi o arquiteto mais jovem a participar de uma edição da CASACOR São Paulo. Seus projetos transitam entre ancestralidade, identidade cultural e sustentabilidade.
Para Gabriel, a palha vai além da matéria-prima decorativa: ela funciona como narrativa. “A palha é uma celebração do Brasil: genuíno, criativo e múltiplo em suas camadas”, resume.

Presente em mobiliários, luminárias, revestimentos e peças artesanais, o material revela o valor do feito à mão e da conexão com a origem. “Cada trama carrega histórias, tradições e afetos, revelando a capacidade brasileira de transformar o comum em extraordinário”, explica.
Ao incorporar a palha na arquitetura, no design e na moda, o arquiteto acredita que também se fortalece o respeito ao saber popular e à identidade cultural brasileira – traduzindo beleza estética sem abrir mão da memória e da ancestralidade.




