Casa de 950 m² integra piscina, paisagismo e interiores sem barreiras

Assinada pelo Rogério Perez Arquitetura, a residência no Guarujá (SP) aposta na continuidade entre interior e exterior com grandes panos de vidro, materiais naturais e uma área de lazer que organiza toda a arquitetura
Sem barreiras visuais, o living se abre completamente para o jardim e a área de lazer, reforçando a sensação de continuidade entre os ambientes. O piso contínuo, o forro amadeirado e os grandes vãos valorizam a integração entre arquitetura e paisagem | Foto: JP Image/Divulgação

Não bastava estar localizada na praia; esta casa precisava dialogar com a paisagem e exalar natureza. A partir dessa premissa, os arquitetos Rogério e Eleonora Perez, do escritório Rogério Perez Arquitetura (@rogerioperezarquitetura), conceberam o projeto desta residência de 950 m², implantada em um terreno de 1.070 m² no condomínio Acapulco, no Guarujá, litoral sul de São Paulo.

A piscina ocupa o centro do terreno e organiza toda a experiência da casa. Revestida com pastilhas verdes, ela ganha aspecto de lago natural e reúne soluções como lounge rebaixado, bancos submersos, bar e sauna integrada, transformando a área externa no principal espaço de convivência da residência | Foto: JP Image/Divulgação

Com generosos 35 cômodos, a casa – concluída em um ano e cinco meses –, pertence a um casal com dois filhos e foi pensada para ser vivida intensamente. A área de lazer assume o papel de núcleo da convivência. “Os proprietários queriam estar com os amigos e a família, curtindo a casa e aproveitando tudo que ela pode oferecer sem sair da piscina”, explica Eleonora.

O paisagismo tropical envolve a residência e reforça a relação direta entre arquitetura e entorno | Foto: JP Image/Divulgação

Protagonista do projeto, a área úmida ocupa o centro do terreno e estrutura a experiência da casa. Lounge rebaixado, bancos submersos, bar e sauna integrada se organizam em torno da piscina, revestida com pastilhas verdes que criam o efeito de um lago natural e reforçam o caráter orgânico da arquitetura. Ao cair da noite, um fogo de chão com telão amplia as possibilidades de uso e transforma o espaço em ponto de encontro.

“Os proprietários queriam estar com os amigos e a família, curtindo a casa e aproveitando tudo que ela pode oferecer sem sair da piscina” — ELEONORA PEREZ

Essa centralidade da área de lazer orienta também as escolhas de linguagem e materialidade do projeto. “Desde o início, nossa ideia foi mesclar madeira e tons de cinza, criando uma casa contemporânea e garantindo continuidade entre interior e exterior, seja pelo paisagismo, seja pelos próprios elementos construtivos”, detalha Rogério.

A área da piscina conta com lounge rebaixado, bancos submersos, bar molhado e sauna integrada | Foto: JP Image/Divulgação

Mais do que recurso estético, a madeira cumpre um papel fundamental na leitura da arquitetura: humaniza a escala monumental da residência e cria um contraponto sensível ao concreto e às pedras escuras. Presente em forros, painéis e fachada, ela estabelece o equilíbrio entre sofisticação e natureza.

“Criamos uma casa contemporânea, garantindo continuidade entre interior e exterior, seja pelo paisagismo, seja pelos próprios elementos construtivos” — ROGÉRIO PEREZ

O paisagismo atua como elemento estruturante do projeto, envolvendo a construção e reforçando a relação direta entre casa e ambiente externo. O jardim exuberante, composto por espécies tropicais como palmeira-canariensis, palmeira-cariota, ravenala e guaimbê, não apenas emoldura a volumetria, mas contribui para a sensação de imersão na paisagem, criando transições suaves entre os espaços construídos e o entorno.

O pé-direito duplo e os amplos panos de vidro inundam o living de luz natural e ampliam a conexão com o jardim. O forro ripado em madeira aquece a composição e equilibra a materialidade contemporânea marcada pelo concreto aparente e pelos perfis metálicos | Foto: JP Image/Divulgação

Embora a área externa concentre grande parte da experiência da casa, os interiores também recebem atenção cuidadosa. Grandes panos de vidro e o pé-direito duplo do estar permitem a entrada abundante de luz natural. Para acompanhar essa escala, o mobiliário prioriza conforto, modernidade e atemporalidade, tendo sido definido desde as primeiras etapas do projeto. “Os moradores desejavam peças amplas e confortáveis, que funcionassem tanto no dia a dia quanto em momentos de festa”, explica a arquiteta.

O mobiliário da Breton estrutura o uso da casa. Há peças curvas, grandes módulos estofados e móveis que reforçam a ideia de convivência. Já as esquadrias da Maranata, com panos de vidro que se abrem por completo, dão contorno suave à arquitetura e integram os espaços internos e externos | Foto: JP Image/Divulgação

No living, a escada escultórica em preto absoluto se evidencia como elemento de forte presença. Totalmente envolta por vidro, ela abraça também o elevador, reforçando a linguagem contemporânea do projeto.

A luz abundante entra “sem pedir licença” e realça a beleza do mobiliário (Breton) e da marcenaria (ID Móveis) | Foto: JP Image/Divulgação

Detalhes construtivos refinam ainda mais o conjunto, como a transição contínua entre os pisos internos e externos, sem o uso de soleiras ou degraus aparentes. “Isso garante uma leitura mais limpa e uma sensação real de continuidade entre os espaços”, observa Eleonora.

A atmosfera refinada da casa é reforçada pelo uso de pedras naturais da Flamboyant Mármores | Foto: JP Image/Divulgação

Na fachada, a casa foge do estereótipo da residência de praia. Volumes limpos, concreto aparente, madeira e paisagismo definem um minimalismo atemporal. “Mais do que estética, essa escolha comunica clareza e uma arquitetura contemporânea que se sustenta tanto na funcionalidade quanto na forma”, finaliza Rogério.

Leia mais