
Poucos materiais atravessam tantas décadas com a mesma relevância quanto o couro. Presente na moda, no mobiliário e nos objetos de design, ele combina resistência, sofisticação e uma forte dimensão sensorial, conquistando espaço em projetos que valorizam autenticidade, longevidade e consumo consciente.
Ao envelhecer, o couro ganha novas texturas, marcas e nuances, características que transformam cada peça em um objeto único. Essa capacidade de evoluir com o tempo explica por que o material continua inspirando estilistas, designers e arquitetos, estabelecendo conexões entre o vestir e o morar.
Para explorar essas diferentes perspectivas, a seção Vice-Versa reúne a designer têxtil Yasmim Baggi e a pesquisadora e trend hunter Danni Couto, que refletem sobre o couro como uma matéria-prima capaz de unir memória, inovação e desejo.
Um olhar para a moda

“Na moda, o couro sempre foi símbolo de resistência e atemporalidade. É um clássico que atravessa o tempo sem perder sua essência”, diz Yasmim Baggi (@yasbaggi) é graduada em Moda pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Design Têxtil pela Ensaama Paris. Atualmente, comanda os setores de Compliance e Responsabilidade Social Corporativa (RSC) de produtos e materiais da marca Celine, em Paris.

Verdadeira matéria-prima do vestuário, o couro acompanha a história da moda em roupas, calçados e acessórios. Mais do que um material funcional, carrega marcas, cicatrizes e texturas que revelam sua origem e conferem singularidade a cada peça. Das jaquetas clássicas às bolsas e aos sapatos, atravessa gerações enquanto ganha novos significados em um cenário que valoriza durabilidade, qualidade e um consumo mais consciente.
Um olhar para o décor

“O couro, quando aplicado ao design, se torna um manifesto tátil e emocional, revelando camadas de significado que ultrapassam a estética e alcançam o sensorial,”, aponta a designer multidisciplinar, pesquisadora de comportamento da cor e trend hunter, Danni Couto (@esse.detalhe.voce.nao.viu), referência em CMF Design e neurociência aplicada às áreas criativas.

Em um momento em que o efêmero divide espaço com o desejo por objetos duráveis, o couro reafirma seu protagonismo no design de interiores. Com o uso, desenvolve pátina, suaviza vincos e incorpora marcas que fortalecem a relação afetiva entre pessoas e objetos. A preferência por acabamentos foscos e toques macios reforça atributos como acolhimento e intimidade – características apontadas pela WGSN como tendências relevantes para o comportamento do consumidor contemporâneo.




