
Completar 11 anos de uma revista impressa, de forma ininterrupta, carrega mais do que um simbolismo; revela consistência, propósito e relevância construída.
Quando fundei a IT•HOME, já consciente dos desafios que acompanham o fazer editorial, sabia que o caminho demandaria mais do que repertório: exigiria resiliência, versatilidade e, sobretudo, convicção.
Empreender no Brasil já é, por si, um exercício contínuo de adaptação. No nosso mercado, atravessado por transformações constantes, esse movimento se intensifica. É preciso manter o olhar atento, ajustar rotas com rapidez e, ao mesmo tempo, sustentar uma direção clara. Porque nem tudo o que surge como novidade se sustenta como caminho.
Onze anos depois, talvez o maior aprendizado esteja justamente aí: menos em acompanhar tudo o que aparece e mais em reconhecer o que, de fato, permanece – e por quê.
Seguir com o impresso, hoje, é parte dessa escolha. Em um cenário que privilegia o imediato, acreditamos no valor do tempo, da curadoria e da construção de leitura. A revista impressa não é um contraponto ao digital, mas um espaço de aprofundamento, onde o conteúdo ganha densidade, intenção e contexto. Mais do que apenas dar visibilidade a marcas e profissionais, trata-se de posicionamento, de percepção de valor e de como esse registro reverbera no olhar do outro.
Ao mesmo tempo, a IT•HOME também se transforma. De forma silenciosa, amplia seu território e se consolida como um hub de conteúdo, relacionamento e negócios. Projetos autorais, colaborações – como a coleção de tapetes em parceria com a Santa Mônica – e uma agenda crescente de encontros e conexões passam a fazer parte do nosso universo, ampliando a maneira como nos relacionamos com o público e o mercado.

Expandir o olhar para além do produto em si é um caminho natural para sustentar relevância e reafirmar identidade. A Semana de Design de Milão reforça esse cenário com a presença cada vez mais consistente das maisons de moda. Nossa editora de estilo, Karin Gimenes, acaba de voltar de lá e conta, nas próximas páginas, como as grifes vêm ampliando seus territórios – e de que forma isso impacta o design de interiores.
Mais uma vez, Milão ratifica seu papel como termômetro preciso do que está em curso. Não pela busca do novo a qualquer custo, mas pela consolidação de direções – materiais mais responsáveis, processos mais conscientes e uma estética que se constrói com menos excesso e mais intenção.

Essa leitura se conecta diretamente ao eixo central desta edição. A biofilia e o design regenerativo aparecem não como tendência, mas como um reposicionamento necessário. Um deslocamento na forma de pensar arquitetura e interiores, que amplia o papel do projeto para além de seus limites físicos e o realinha dentro de um sistema maior, onde impacto, responsabilidade e continuidade passam a importar de outra forma.
Entre o que se consolida e o que se redefine, esta edição se constrói. Se há algo a celebrar, não é apenas o tempo, mas a possibilidade de seguir evoluindo com mais clareza sobre o que importa e o compromisso de manter um olhar atento e sensível sobre as formas de morar.

Denis Nunciaroni
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