A DW! Semana de Design de São Paulo 2026 começou em 5 de março movimentando a cidade com lançamentos que reforçam a potência do design autoral brasileiro. Espalhadas por diferentes distritos do evento, as novidades apresentadas por estúdios, designers e marcas revelam um panorama diverso da produção contemporânea, entre experimentações formais, colaborações criativas e novas leituras sobre materiais, cores e modos de habitar.
Entre luminárias, poltronas, bancos e coleções inéditas, os lançamentos vistos na abertura da semana apontam para um design cada vez mais atento à identidade, à memória e ao gesto artesanal, sem abrir mão da inovação. Abaixo, reunimos alguns dos destaques que entraram no radar da edição deste ano.
Linha Hazz • Dieedro, Jayme Bernardo

Estreando na DW!, o Studio Dieedro apresenta novas criações desenvolvidas especialmente para o festival. Fundada pelo arquiteto e designer Jayme Bernardo, a marca transporta para a escala do objeto o pensamento arquitetônico que marca a sua produção, explorando proporções rigorosas, presença escultórica e atenção minuciosa aos acabamentos. Entre os destaques está a linha Hazz, que traduz o diálogo entre técnica e expressão característico do estúdio. Apresentada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, a coleção reforça a proposta da Dieedro de criar peças que transitam entre arte e função, concebidas para ocupar o espaço com identidade e força plástica.
Banco Radici • Roberta Banqueri, Novo Ambiente

Curvas amplas e presença acolhedora marcam o banco Radici, uma das peças da coleção Ítalo-Tropical, apresentada por Roberta Banqueri durante a DW! Semana de Design de São Paulo 2026. O trabalho investiga o encontro entre duas referências centrais na trajetória da designer: a elegância do design italiano e a liberdade sensorial brasileira. Materiais como madeira maciça, tecidos naturais e metais compõem superfícies que transitam entre o rústico e o sofisticado, reforçando a dimensão emocional que orienta a nova série.
Luminária Ervilha • Bianca Barbato

Edouard Fraipont/Divulgação
Entre as peças apresentadas na mostra Impermanência, a luminária Ervilha revela o olhar sensível da designer Bianca Barbato para a relação entre luz e matéria. Autodidata, a criadora construiu uma linguagem própria explorando reflexos, transparências e o encontro entre formas geométricas e orgânicas. Em seus projetos, materiais como madeira, resina e metal aparecem combinados em processos que misturam o artesanal e o industrial. O resultado são peças de presença delicada, nas quais rigor construtivo e fluidez formal convivem com naturalidade.
Luminária Dupla • Metro Arquitetos, Lumini

Resultado da colaboração entre o escritório Metro Arquitetos e a Lumini, a luminária Dupla investiga a ideia de dualidade e movimento. Estruturada em alumínio e equipada com um sistema de articulações, a peça permite alterar tanto sua configuração quanto a orientação da fonte luminosa. Ao girar e reposicionar os dois corpos idênticos, o usuário redefine simultaneamente forma e luz, criando novas composições no espaço. O desenho transforma a luminária em um estudo de equilíbrio, em que pequenas variações de ângulo são capazes de modificar a percepção do ambiente.
Poltrona Tori • Bruno Niz, Breton

Entre os lançamentos da Breton, a poltrona Tori, assinada pelo designer Bruno Niz, traduz um desenho guiado pelo equilíbrio e pela permanência. A peça integra a nova coleção Círculos, que reúne diferentes olhares autorais sobre o morar contemporâneo, explorando formas precisas e uma presença discreta, porém marcante, no espaço. O resultado é um objeto que combina rigor formal e leveza visual, pensado para dialogar com diferentes ambientes e ritmos da vida doméstica.
Pufftrona • Rodolpho Guttierrez, Boulle + by Kamy

A Pufftrona nasce da colaboração entre a Boulle e a by Kamy dentro da exposição que explora o conceito de ressignificação. Criada por Rodolpho Guttierrez, a peça parte do clássico pufe da marca têxtil e ganha uma nova leitura a partir de uma estrutura de madeira de arco contínuo, que envolve o assento com gesto fluido e escultórico. Cada versão se diferencia pelo tapete usado no revestimento e pela madeira da base, reforçando o diálogo entre design de mobiliário e a tradição têxtil da by Kamy. A presença da base giratória amplia ainda mais a versatilidade do objeto no ambiente.
Coleção Retalhos • Assimply, Retropy e Maurício Arruda

A coleção Retalhos nasce do encontro entre o estúdio Assimply, a marca Retropy e o designer Maurício Arruda. A linha reúne mesas de apoio com tampos circulares em diferentes dimensões, marcadas por composições gráficas que exploram listras e contrastes de cor inspirados na linguagem visual da Retropy. As superfícies são formadas por faixas de mármore e granilite, como Verde Guatemala, Travertino Vermelho e Alicante Rosso, criando uma espécie de marchetaria mineral a partir de sobras da indústria. Os tampos repousam sobre pés esbeltos de alumínio maciço polido, equilibrando leveza estrutural e intensidade cromática.
Luminárias Falésias • Lima Design

Inspiradas nas formações naturais que revelam camadas de rocha moldadas pela ação do tempo, as luminárias Falésias transformam paisagem em objeto. Criadas pelo designer Filipe Lima, do estúdio Lima Design, as peças exploram volumes que evocam a erosão e a sobreposição de materiais, sugerindo um desenho marcado por texturas e profundidade. O lançamento integra a mostra Impermanência 2026, realizada durante a DW! São Paulo. A exposição reúne trabalhos que investigam o design como processo contínuo de transformação, em diálogo com matéria, tempo e mudança.
Poltrona Verena • Estúdio Felipe Madeira, Folio, Boobam

Resultado da primeira colaboração entre o Estúdio Felipe Madeira e a Folio, com venda na Boobam, a poltrona Verena investiga a memória afetiva do morar. O desenho combina a estrutura de madeira de linhas cartesiana com uma tapeçaria leve e acolhedora, criando um contraste entre rigor formal e conforto visual. Com referências ao modernismo brasileiro das décadas de 1960 e 1970, a peça propõe um sentar desacelerado, pensado para conversas longas e momentos de permanência. Personalizável em diferentes acabamentos e cores, Verena transita com naturalidade entre ambientes residenciais e corporativos.
Cadeira Pipa (versão carbonizada) • Estúdio Simbiose

Apresentada na mostra Impermanência, a nova versão da cadeira Pipa explora a técnica japonesa Shou Sugi Ban, que consiste na carbonização da madeira. Tradicionalmente usada para proteger o material, a técnica aparece aqui também como recurso estético, criando superfícies marcadas e profundas. Produzida artesanalmente no Rio de Janeiro pelo Estúdio Simbiose, a peça reflete a pesquisa do estúdio sobre a relação entre matéria, natureza e habitar. O resultado é um móvel que combina tradição construtiva e leitura contemporânea do material.
Linha Gaspar Cromática • Estúdio Niz

A linha Gaspar ganha uma nova leitura com a introdução da cor. Na versão Gaspar Cromática, a estrutura de madeira maciça passa a receber acabamento de laca em tons como verde, azul, fendi e laranja, enquanto os estofados acompanham a paleta em composições de color block. Além da poltrona, a cadeira e a banqueta passam a contar com encosto estofado, ampliando a presença têxtil na coleção. A linha reúne cadeira, poltrona, banqueta, banquinho e banco, e pode ser vista nas exposições Dentro de Casa, na Galeria Metrópole, e Designio, no Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios.