
Apesar da metragem generosa, este apartamento de 167 m², na zona sul de São Paulo, não atendia à rotina dos moradores – um casal com duas filhas pequenas. A principal demanda era clara: criar uma configuração mais funcional e voltada ao convívio familiar. Para isso, foi chamado o escritório RZK Arquitetura e Interiores (@rzkarquitetura), comandado pela arquiteta Sílvia Ruzicki.
“O apartamento é grande, mas tinha uma planta com muitos espaços ociosos, o que o fazia parecer menor do que realmente é. Nosso trabalho foi reorganizar o layout para que ele funcionasse melhor no dia a dia da família e valorizasse o imóvel”, explica Sílvia.

O principal desafio estava na cozinha: originalmente com apenas 6 m², o ambiente precisava ganhar escala e assumir um papel central na área social. A solução envolveu o deslocamento da lavanderia, que ocupava uma posição estratégica no apartamento, liberando espaço para ampliar a cozinha e integrá-la à sala e à varanda gourmet.
“Um dos primeiros pontos que chamou nossa atenção foi o tamanho da cozinha, que não era proporcional ao apartamento nem à rotina da família. Com a mudança, conseguimos praticamente triplicar a área disponível”, conta a arquiteta.

Outro elemento importante do projeto foi o pilar estrutural de concreto aparente na sala. O que poderia ser um entrave, foi incorporado como parte da linguagem do projeto. “Usamos o pilar como ponto de partida para a paleta de materiais e o integramos ao painel da TV, que percorre toda a área social, da entrada até a varanda”, diz.

Com a nova configuração, a cozinha ganhou uma ilha central, permitindo que o casal cozinhe de frente para o living e acompanhe as filhas enquanto brincam. As bancadas de lâmina sinterizada reforçam a estética contemporânea e a praticidade do espaço.

Na materialidade, o projeto equilibra o calor do freijó com a sobriedade do cinza e do concreto. “O tom amendoado da madeira traz acolhimento, enquanto o cinza e o concreto imprimem uma sofisticação mais urbana”, explica Sílvia.

Já na decoração, o projeto ganha uma camada afetiva: o sofá e as poltronas, herdados da avó da cliente, foram restaurados e incorporados ao ambiente. “Mais do que decorar, queríamos preservar a história da família dentro da casa”, comenta.

A iluminação foi pensada para criar diferentes cenários ao longo do dia, com pontos estratégicos que garantem conforto visual em momentos como cozinhar, receber ou assistir à TV.
Para a arquiteta, o resultado sintetiza sua visão de morar bem: “Luxo, para mim, não é excesso. É quando tudo faz sentido”.




