
O que define o design brasileiro quando o país não cabe em uma única resposta? A Mostra Nacional parte dessa provocação para construir um panorama que não tenta fechar conceitos, mas expandi-los. Sob o tema Ser Designer: O Desenho de Muitos Brasis, a curadoria propõe olhar para a prática contemporânea como um campo em trânsito – onde técnica, cultura, política e matéria coexistem.

A exposição reúne 15 profissionais, distribuídos pelas cinco regiões do país, para apresentar diferentes formas de pensar e fazer design hoje. Mais do que objetos, o que se vê é um conjunto de perspectivas que atravessam escalas, processos e contextos, refletindo um Brasil múltiplo, onde tradição e inovação não competem, mas se somam.
No Sul, o desenho aparece como equilíbrio entre precisão técnica e memória afetiva, transformando referências do cotidiano em linguagem contemporânea. Já no Centro-Oeste, o pensamento se expande para além do objeto, explorando superfícies, padrões e a relação direta com a arquitetura.

O Sudeste traz o design como ferramenta de expressão social e domínio industrial, revelando tanto a potência das matérias-primas quanto discussões urgentes sobre identidade e pertencimento. No Nordeste, o ritmo desacelera: entram em cena o tempo da pausa, o saber vernacular e uma abordagem mais profunda sobre sustentabilidade, que nasce da prática e não do discurso.

Já no Norte, o design se ancora na ancestralidade e no território, funcionando como ponte entre saberes tradicionais e novas leituras contemporâneas, com forte vínculo com a floresta e suas narrativas.

Ao reunir essas diferentes vozes, a Mostra Nacional reforça que ser designer no Brasil hoje é menos sobre especialização e mais sobre atravessamento. Entre indústria e artesanato, tecnologia e memória, o design surge como um exercício constante de adaptação e, sobretudo, de resistência criativa.





