Casa em Ribeirão Preto valoriza pedra, madeira e integração com a natureza

A arquiteta Cacau Ribeiro criou interiores que exploram a materialidade e conectam arquitetura, paisagismo e modos de viver
No living, a pedra moledo reveste as paredes e cria uma conexão direta com a vegetação do entorno. A marcenaria de madeira aquece a composição, enquanto a poltrona Jangada, de Jean Gillon, acrescenta personalidade e reforça o diálogo com o design brasileiro | Foto: Mariana Borsatto/Divulgação

Localizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, esta casa de 1.098 m² nasce da convergência de uma tríade de talentos: a precisão estrutural do HR Arquitetura (@hr.arquitetura), o paisagismo exuberante de Mônica Costa (@monicacostapaisagismo_) e o projeto de interiores repleto de alma e história assinado por Cacau Ribeiro (@cacauribeirointeriores). O resultado é um refúgio prático e afetivo, em total simbiose com a vegetação do entorno, e idealizado para acolher um casal jovem e sua filha pré-adolescente.

A designer de interiores Cacau Ribeiro na área externa da residência, onde paisagismo exuberante, pedra natural e mobiliário de linhas leves reforçam a integração com a natureza | Foto: Carla Glarner/Divulgação

A narrativa visual se constrói a partir das paredes de pedra moledo. Já presentes na fachada original, elas avançam para o living e reforçam a continuidade entre interior e exterior, como uma extensão do jardim. “Aprecio a matéria que tem desenho próprio e se transforma com o tempo. Estabelecer essa relação entre o externo e o interno traz harmonia e pertencimento”, pontua Cacau.

Na área gourmet, as lâminas naturais de freijó da marcenaria executada pela Ornare estabelecem um contraponto à rusticidade das paredes de pedra moledo. Ao centro, a mesa de jantar Floripa, da Breton, é acompanhada pelos pendentes Gap, da Lucenera | Foto: Mariana Borsatto/Divulgação

Outro elemento de destaque são os brises móveis de madeira freijó, que setorizam o hall de entrada sem interromper o campo visão, permitindo a passagem plena da luz natural. Essa integração é, aliás, o fio condutor de toda a residência, cujo layout social se abre para o lazer e a piscina, incorporando a paisagem ao cotidiano.

Os brises de madeira freijó isolam ou integram o living conforme a ocasião. No mobiliário, destaque para a poltrona Mole, de Sergio Rodrigues, estofada de couro natural | Foto: Mariana Borsatto/Divulgação

No espaço gourmet, a escolha do corten para o piso foi estratégica: para além da estética industrial e sofisticada, o revestimento remete à típica terra vermelha da região, somando resistência e facilidade de manutenção. No teto, o forro de madeira tauari assegura conforto térmico e acústico. ​Enquanto a marcenaria da área social aposta na leveza atemporal das lâminas de freijó e cumaru, a copa e a cozinha incorporam uma dose de ousadia: o verde dos móveis planejados traz frescor ao cotidiano. Já a ala íntima se resguarda no pavimento superior.

O jardim implantado junto ao hall de entrada amplia a entrada de luz natural nos interiores e favorece a ventilação cruzada, aproximando a casa da paisagem tropical ao redor | Foto: Mariana Borsatto/Divulgação

O mobiliário equilibra memória e sustentabilidade. Quase todo o acervo do antigo apartamento da família foi reaproveitado, ganhando novos tecidos e significados. Peças icônicas do design autoral brasileiro, como as poltronas Mole, de Sergio Rodrigues, Pitu, de Aristeu Pires e Benedetta, de Isabelle de Mari, foram estrategicamente posicionadas para oferecer conforto absoluto.

Copa e cozinha ganham personalidade e frescor com os armários em tom de verde da Ornare. As cadeiras Colônia acompanham a mesa Cone, com tampo em mármore Verde Guatemala, ambas da Breton | Foto: Mariana Borsatto/Divulgação

À noite, a iluminação assinada pelo escritório Lucenera, sob o comando de Filippo Giorgi, valoriza texturas e volumetrias, criando uma atmosfera cênica e acolhedora.

O piso de corten percorre os espaços internos e avança até a área externa, criando uma leitura contínua | Foto: Mariana Borsatto/Divulgação

“Cor não é apenas estética: é composição. É preciso saber quando uma tonalidade deve falar e quando ela precisa silenciar” — CACAU RIBEIRO

As áreas sociais se abrem integralmente para o jardim e a piscina, dissolvendo os limites entre interior e exterior | Foto: Mariana Borsatto/Divulgação

“A natureza nunca erra: não busca perfeição, simplesmente é. E é essa verdade que busco trazer para os meus projetos.” — CACAU RIBEIRO

Assinado por Monica Costa, o paisagismo envolve toda a casa e ganha protagonismo por meio das esquadrias, que enquadram a vegetação e ampliam a presença do verde nos ambientes | Foto: Mariana Borsatto/Divulgação

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