Identificar o estilo de vida e a rotina dos moradores é fundamental para um bom projeto arquitetônico. Quando os clientes são conhecidos de longa data, então, tudo se torna mais fácil.
“Conhecer a fundo as necessidades, gostos e costumes de quem viverá na casa que vamos projetar é, sim, uma grande vantagem inicial”, compartilha a arquiteta Júlia Guadix, que experimentou essa situação ao assumir a reforma do novo imóvel dos pais, um apartamento de 160 m², em São José dos Campos, no interior paulista.

Antes de iniciar o projeto, Júlia validou com os pais o uso de cada ambiente e as expectativas com a nova morada. Resultado: a planta mudou “da água para o vinho”, como brinca a arquiteta, que lidera o Studio Guadix (@studioguadix).
“Eliminamos um dormitório e o lavabo para aumentar a área social, integramos a cozinha com a sala e a varanda, tirando o máximo de divisões, e repensamos outros espaços e medidas”, explica, indicando as estratégias que fizeram o apartamento parecer maior do que, de fato, já é.

Como os moradores amam receber e adoram um banquete em família, a cozinha foi a primeira a ser modificada, com o intuito de facilitar o preparo de refeições e integrar o “chef da vez” aos convidados. Aberta, ela é praticamente uma extensão da nova área social, que agora reúne área gourmet, living e sala de jantar, somando quase 60 m².

Assim, uma grande ilha de cocção foi posicionada de frente à sala e conta com uma marcenaria desenhada para abrigar panelas, acomodar talheres e armazenar pães e frutas, deixando a bancada livre e organizada.

Ao unificar todos os ambientes, paredes e esquadrias foram retiradas. Contudo, Júlia tomou um certo cuidado para evitar que o generoso espaço ficasse frio e impessoal, trabalhando com materiais quentes e acolhedores, como painéis de MDF, piso de porcelanato que emula madeira e a parede de tijolinhos aparentes.

Para que os pais não sentissem tanto a mudança de ares – eles moraram por mais de 20 anos na praia –, a arquiteta priorizou elementos que remetessem à estética de decoração litorânea. Por isso, o painel do estar surge em ripas mais largas, em clara referência às casas praianas, assegurando um visual mais despojado.

Ponto de encontro aos finais de semana, a varanda também foi remodelada e passou a ter um forno a lenha ocupando o antigo espaço da churrasqueira. Para ocultar parte do duto de saída de fumaça, que vai até o shaft de exaustão das churrasqueiras do prédio, criou-se um pórtico de gesso acartonado, que recebeu o mesmo tijolinho da área social. O local ainda ganhou adega, cervejeira e cantinho do café, transformando-se em uma área de bar completa e ideal para os momentos em boa companhia.





