Apartamento de 450 m² aposta em planta integrada e minimalismo sensorial

Assinado pelo Suite Arquitetos, o projeto em São Paulo integra uma suíte à área social e cria ambientes fluidos, com materialidade neutra, biofilia e marcenaria de nogueira
O grande tapete delimita a área de estar, composta pelo sofá-ilha MCS, da Micasa, pelas mesinhas Blast, de Ronald Sasson, e Morfa, de Lucas Recchia, e pelas poltronas Espaldar, de Juliana Vasconcellos, e Reversível, de Martin Eisler | Foto: Pedro Ocanhas/Divulgação

Lar de um casal com dois filhos já adultos, este apartamento de 450 m², em São Paulo, parte de uma leitura sensível do momento atual da família e de suas transformações futuras. Assinado por Carolina Mauro, Daniela Frugiuele e Filipe Troncon, do Suite (@suite_arquitetos), o projeto antecipa o cenário de um possível “ninho vazio” e, ao mesmo tempo, considera a chegada de um núcleo familiar ampliado.

Nesse contexto, a convivência orienta as decisões. “A premissa de longevidade guiou a principal intervenção civil, que integrou a quarta suíte à área social, resultando em um living generoso e fluido, onde a interação é o eixo central”, explicam os arquitetos.

Integrada à cozinha, a copa se destaca pela ilha de desenho orgânico, que se transforma em ponto de encontro quando a moradora recebe convidados | Foto: Pedro Ocanhas/Divulgação

O living se organiza em uma planta em U, com estar, jantar e home theater distribuídos ao longo do eixo principal, enquanto as extremidades acomodam uma saleta íntima com adega e a copa integrada à cozinha. No centro desse fluxo, o hall do elevador se destaca como elemento de transição.

Envolto por uma marcenaria composta por recortes de nogueira tingida, o volume – quase uma caixa – ganha uma paginação que explora o desenho natural dos veios e catedrais da madeira, criando uma marchetaria dinâmica. O revestimento se desdobra pelas laterais e incorpora, de forma contínua, um móvel de apoio que abriga o canto do café. “Foram vários desenhos, testes e protótipos até chegar ao ritmo e à composição ideais”, conta Troncon.

A mesma lâmina de nogueira aplicada no volume do hall se repete na estante perimetral que conecta o home theater ao espaço do bar, reforçando a sensação de integração e unidade | Foto: Pedro Ocanhas/Divulgação

Na área social, a setorização se resolve de maneira fluida e intuitiva, sem barreiras visuais rígidas. Um sofá-ilha multifuncional organiza a circulação diante da TV, enquanto um grande tapete delimita a área de estar. No jantar, a mesa com tampo de mármore Vitória-régia marca presença, enquanto, na copa, uma ilha orgânica de desenho escultural atua como ponto de encontro. Posicionada estrategicamente, favorece conversas e momentos de preparo, funcionando como cenário para a proprietária – entusiasta da gastronomia – exercer seu papel de anfitriã.

“A escolha dos materiais priorizou uma base neutra, atemporal e de pouca manutenção. Por isso, o piso sintético, as paredes e os tetos possuem o mesmo tom cimentício” — FILIPE TRONCON

Na saleta íntima com adega, a mesa de centro Pétala, criada por Jorge Zalszupin em 1959, reforça a presença de clássicos do design brasileiro. Em composição, a poltrona Lina, assinada pelo Suite Design – braço de mobiliário do Suite Arquitetos – para a Lider | Foto: Pedro Ocanhas/Divulgação

O diálogo com o exterior se estabelece por meio do jardim assinado por Claudia Diamant (@claudia_diamant), que percorre toda a extensão das janelas e incorpora o frescor da biofilia ao cotidiano.

O caráter escultórico atravessa diferentes elementos do projeto, como no living, onde há um painel de marchetaria em lâminas tingidas de nogueira, que explora o desenho natural dos veios da madeira | Foto: Pedro Ocanhas/Divulgação

A curadoria do mobiliário reúne diferentes gerações do design, combinando peças icônicas e criações contemporâneas. Convivem, harmoniosamente, a poltrona Reversível, de Martin Eisler, a chaise DS-266, de Stefan Heiliger, a mesa Pétala, de Jorge Zalszupin, o bufê Curva, do Metro Arquitetos e a poltrona Lina, desenhada pelos arquitetos da Suite.

No lavabo, a cuba esculpida de travertino valoriza a textura bruta da pedra | Foto: Pedro Ocanhas/Divulgação

Toda essa narrativa se articula a partir de uma materialidade orientada pelo “minimalismo sensorial”. O piso sintético em tom claro estabelece uma base contínua, que se prolonga pelas superfícies e se integra às paredes e ao teto com textura cimentícia, reforçando a leitura uniforme do espaço.

O projeto explora nuances neutras, madeira e superfícies contínuas para construir uma atmosfera minimalista e sensorial | Foto: Pedro Ocanhas/Divulgação

“A materialidade do projeto reforça uma estética minimalista e sensorial. O equilíbrio entre nuances, tonalidades e texturas foi crucial para construir a composição dos acabamentos” — FILIPE TRONCON

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