
Prestes a completar 100 anos de seu nascimento, Sergio Rodrigues (1927–2014) ganha uma programação especial em Porto Alegre que propõe olhar para além de seus móveis mais conhecidos. Intitulada Sergio Rodrigues – Além dos Ícones | Prelúdio ao Centenário, a iniciativa da Casiere antecipa as celebrações de 2027 com uma conversa na Fundação Iberê Camargo e uma exposição que reúne 21 peças do arquiteto e designer, entre elas oito reedições recém-apresentadas ao mercado brasileiro.
Mais do que revisitar clássicos como a poltrona Mole, a seleção evidencia a amplitude de uma produção construída ao longo de cerca de seis décadas. Sergio Rodrigues transitou pelo mobiliário, pela arquitetura, pelos interiores, pelo desenho e pelos sistemas construtivos, desenvolvendo uma linguagem marcada pela cultura brasileira, pela experimentação, pelo humor e por uma relação direta com a materialidade e o fazer. O próprio designer preferia se definir como “riscador”, termo que traduzia sua maneira livre e intuitiva de criar.

A programação teve início em 3 de setembro, com um encontro no auditório da Fundação Iberê Camargo, mediado por Thales Lucchesi e com participação de Fernando Mendes, arquiteto, designer e marceneiro que conviveu e trabalhou com Sergio durante décadas, e Gisèle Schwartsburd, fundadora e CEO da LinBrasil, dedicada à edição e preservação de sua obra. A conversa percorreu diferentes momentos de sua trajetória e trouxe à tona aspectos menos conhecidos de seu trabalho e de sua relação com a arquitetura, a marcenaria e o desenho.

No dia seguinte, a Casiere abriu a exposição Sergio Rodrigues – Além dos Ícones, que permanece em cartaz até 5 de outubro. Entre as peças apresentadas estão as cadeiras Paiol e Bule, o baú Sabará, a mesa auxiliar Yara, a cômoda Luciana, o banco Eleh, a cômoda Mitzi e a mesa Stella, todas de diferentes momentos de sua carreira. Juntas, elas ajudam a revelar a diversidade de uma produção que chegou a cerca de 1.200 modelos de móveis, além de projetos de arquitetura, interiores, sistemas construtivos, desenhos e textos, reforçando o lugar de Sergio Rodrigues na história do design e da cultura material brasileira.




