
Há casas que parecem ter sido montadas de uma só vez e outras que revelam, pouco a pouco, as histórias de quem vive nelas. No apartamento de 142 m² de Evelyn Gavioli, no Itaim Bibi, em São Paulo, é justamente essa segunda lógica que prevalece. Empresária à frente da Pousada Estrela D’Água, em Trancoso (BA), ela levou para a residência paulistana referências construídas ao longo de décadas entre a hospitalidade, as viagens, a arte e a convivência com diferentes culturas.

O projeto de interiores é assinado pelo arquiteto Alexandre Silveira, do PRIMO Arquitetura (@primoarquitetura), e parte de uma premissa bastante pessoal: criar ambientes que refletissem a moradora, e não uma tendência específica. A integração da varanda ao living foi uma das principais intervenções, ampliando a área social e aproximando cozinha, estar e jantar.
A configuração favorece justamente um dos hábitos mais presentes na rotina de Evelyn: receber. “Sempre gostei de ambientes que carregam histórias, memórias e objetos com significado. Minha vida sempre esteve muito ligada às viagens, aos encontros e à hospitalidade na condução da Pousada Estrela D’Água, então queria que o apartamento tivesse exatamente essa atmosfera de acolhimento”, afirma.

Se a base arquitetônica segue por caminhos mais sóbrios, com revestimentos claros, iluminação suave e marcenaria discreta, a decoração ganha liberdade para explorar cores, estampas, texturas e objetos. Livros, fotografias, cerâmicas, presentes e obras de arte ocupam os ambientes, enquanto a estante que divide o living do home office funciona quase como um inventário afetivo, reunindo álbuns de família, esculturas e lembranças de diferentes momentos da vida da moradora.

“Cada peça aqui me conecta a alguma lembrança importante. Muitas vieram de viagens, outras foram presentes de amigos ou objetos encontrados por acaso, mas que simbolizam lugares especiais que visitei. Gosto da ideia de que os espaços da casa nunca estejam totalmente prontos e continuem incorporando novas histórias”, resume Evelyn.

A conexão com a Bahia aparece de maneira menos literal e mais sensorial. Papéis de parede florais da Branco Casa surgem no lavabo, hall social e suíte máster, enquanto o hall de entrada combina um desenho de coqueiros e outros motivos tropicais a um tecido de onça em tons de rosa aplicado no teto. A seleção de arte também reforça esse repertório brasileiro, com trabalhos de Rita Wainer, Derlon, da galeria Background27 e do Estúdio Agá, de Salvador, comandado pelo artista visual Hóri Leal.
Os tapetes da by Kamy aparecem em praticamente todos os espaços, inclusive na cozinha, onde a marcenaria de laca verde-petróleo contrasta com o piso claro e um modelo de corda náutica em tons de azul. No living integrado à sala de jantar, um tapete artesanal da série Metamorfose Silk, produzido manualmente de seda, acrescenta tons de rosa, roxo e branco à composição.

Entre referências tropicais, peças carregadas de memória e soluções pensadas para o convívio, o apartamento se afasta da formalidade dos interiores urbanos e assume a função de um refúgio em meio à cidade, um espaço feito para continuar mudando conforme novas histórias chegam.





