
Em sua segunda participação no SaloneSatellite, na Semana de Design de Milão, Tavinho Camerino (@tavinhocamerino) levou mais uma vez um pedacinho de sua terra natal, Alagoas, para o mundo. O designer apresentou a coleção Arreio, composta por três peças: a poltrona Arreio, a luminária Rebenque e a luminária Cabra, todas produzidas com elementos encontrados nas feiras livres do sertão de Alagoas.

O profissional, que tem exposições e prêmios no currículo, tem como uma das suas características a aposta na união de técnicas tradicionais do “feito à mão” de artesãos alagoanos com as inovações industriais, integrando novos elementos já existentes às peças. Essa singularidade chamou atenção de Marva Griffin, curadora da exposição do SaloneSatellite, que selecionou o brasileiro para integrar o time de expositores.
Nesta entrevista exclusiva, o designer Tavinho fala sobre a carreira, as inspirações e o que vem por aí.
IT•HOME: Como se deu sua conexão com o design? Quais são suas referências?
Tavinho Camerino: Sempre fui muito ligado às artes. Quando criança, participei de cursos de pintura e escultura com o Mestre João das Alagoas. Minha primeira referência de design foram os Irmãos Campana. Minha mãe me apresentou a poltrona Favela há muito tempo e isso é uma das maiores referências que tenho de mobiliário e design brasileiro. O design de mobiliário começou para mim em 2017, ainda na faculdade (NR: o profissional é formado em Arquitetura), quando desenhei algumas peças para o espaço de uma amiga na CASACOR de Maceió. Desenhei e produzi, já em parceria com artesãos, mesas, banquetas e prateleiras para um espaço de cervejaria da mostra. Depois, fui participante de concursos e mostras e não parei mais.
IT: Você atuou no programa Alagoas Feita à Mão. Como foi o trabalho no programa? Qual a importância dele para sua carreira e para a cultura do estado de Alagoas?
TC: No programa Alagoas Feita à Mão, trabalhei em diversas áreas, desde a produção de eventos e feiras até a curadoria para alguns projetos. A participação no programa me aproximou muito do artesão alagoano; tanto conheci trabalhos diferentes como passei a perceber as necessidades e desejos das comunidades e artesãos. Para a minha carreira, isso foi muito importante, pois passei a entender que o design tem o poder de transformar e, por meio dele, eu poderia ajudar o artesão na geração de renda, colocando o artesanato em destaque junto ao design e valorizando a cultura.
IT: Em 2022 você participou pela primeira vez do SaloneSatellite. Este ano, esteve presente novamente. Como foi para você participar dessas edições?
TC: Expor em Milão é o sonho de todo designer. Na primeira vez (em 2022), eu não tinha muita noção da importância e do destaque que o SaloneSatellite tem. Por exemplo, Sergio Matos e Pedro Franco são dois nomes brasileiros que já passaram pelo Satellite. Hoje sou o único brasileiro, entre quase 600 designers do mundo inteiro, selecionado na curadoria da Marva Grifin, expondo no SaloneSatellite, e com design autoral nordestino. Isso é uma honra para mim.

IT: Conte um pouco sobre a coleção Arreio, apresentada nessa última edição da Semana de Design de Milão.
TC: A coleção Arreio foi fruto de meus passeios pelo sertão alagoano. Um design experimental onde usei elementos encontrados em feiras livres, nas barracas de arreios e acessórios para vaqueiros e montarias. A ideia foi levar objetos do dia a dia do sertanejo para as peças, dando novos usos para esses elementos artesanais. São chicotes, cintas de arreio, fivelas e tiras de couro, todas naturais e com produção artesanal.
IT: Você também é cofundador do coletivo Borogodó. Fale sobre ele e de como se deu a união com esses outros profissionais.
TC: Em 2017, na minha primeira exposição, a Novos Talentos Brasileiros, no Rio de Janeiro, nos conhecemos e dali em diante montamos o grupo. Somos atualmente nove nomes do design espalhados por todo o Brasil, entre designers e estúdios, e sempre estamos em contato, discutindo novos caminhos, nos ajudando e compartilhando experiências. Já participamos de eventos juntos e pretendemos criar uma coleção coletiva em breve.
IT: O que vem por aí? O que está desenvolvendo nesse momento?
TC: Neste momento, pós-Salone, estou focado em iniciar a produção de algumas peças autorais já lançadas anteriormente, mas que agora vão ser distribuídas para galerias em Londres e New York. Também estou desenvolvendo algumas peças para a indústria e já pensando no que apresentarei na minha terceira e última participação no SaloneSatellite de 2024. Minha ideia é preparar algo participativo, onde os visitantes possam contribuir com o meu design. Vamos aguardar!




