As casas que mais nos marcam não são necessariamente as maiores ou as mais imponentes. São aquelas capazes de traduzir histórias, despertar sensações e criar vínculos. Espaços onde materiais, objetos e memórias se encontram para revelar algo maior: a forma como escolhemos viver.
É a partir dessa perspectiva que apresentamos esta edição da IT•HOME. Mais do que acompanhar as transformações da arquitetura e do design, buscamos compreender os significados por trás delas – os movimentos que revelam novos desejos, comportamentos e relações com o morar.
Nossa curadoria da CASACOR São Paulo 2026 parte justamente dessa reflexão. Em “Movimentos do Morar”, a jornalista Nádia Kaku conduz uma leitura sobre os ambientes que revelam diferentes interpretações da vida contemporânea. Entre natureza, materialidade, afeto e bem-estar, os espaços mostram que a casa continua sendo um território em constante mudança, onde cada escolha revela uma maneira de habitar o mundo.

Essa busca por significado também aparece em “A Estética do Sentir”, matéria assinada por Daniela Bueno Elston. Ao investigar os diálogos entre moda, arquitetura e design, ela evidencia uma nova sensibilidade que vem se consolidando: aquela que valoriza a passagem do tempo, a autenticidade dos processos e a capacidade dos objetos de despertar emoções. Mais do que a perfeição formal, valorizamos hoje aquilo que carrega presença e narrativa.
No ensaio “Bioemocional”, nossa editora de estilo Karin Gimenes explora os encontros possíveis entre design, arte e tecnologia, com cenários criados pela artista digital Hanna Inaiáh. Inspirado no universo de Antoni Gaudí e reinterpretado com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, o editorial imagina como seria o olhar do arquiteto catalão sobre o presente, aproximando referências históricas de novas possibilidades visuais.
A relação entre espaço e experiência costura os projetos apresentados neste número: residências onde a arquitetura estabelece uma conversa mais íntima com a paisagem, os materiais e os sentidos. Moradas pensadas não apenas para serem admiradas, mas para serem vividas.
No fim, a arquitetura que mais nos interessa é aquela capaz de criar vínculos. Entre passado e futuro, entre natureza e matéria, entre estética e emoção.
Porque morar é também sentir.
Boa leitura!
Denis Nunciaroni
Confira abaixo as capas da edição:













