
O Espaço Gênese, assinado por Camilo Jr. (@camiloarquiteto) para a CASACOR São Paulo 2026, convida o visitante a percorrer uma narrativa sobre as origens da humanidade. Em uma área de 25 m², o arquiteto parte da ideia de que a arquitetura nasce da relação entre o ser humano e a matéria, transformando materiais primitivos em abrigo, memória e significado. O ambiente incorpora ainda soluções de conforto e acessibilidade, sem perder de vista a força conceitual que orienta todo o projeto.
Essa construção narrativa se revela principalmente na escolha dos materiais. Logo na entrada, a pedra natural fornecida pela Minexco assume protagonismo ao combinar características do travertino e do ônix em uma superfície marcada por nuances de cinza, azul, bege e marrom. O desenho natural da rocha remete às primeiras paisagens do planeta e funciona como um elemento que conecta o visitante à ideia de memória geológica proposta pelo arquiteto.

A marcenaria, executada pelo Ateliê Sette, reforça essa leitura por meio do MDF Carvalho Brun Thera, lançamento da Duratex. Os tons escuros ajudam a construir uma atmosfera acolhedora e remetem ao primeiro domínio humano sobre a natureza, evocando ancestralidade e permanência. Ao mesmo tempo, a execução precisa das superfícies evidencia como o detalhamento técnico contribui para dar unidade ao discurso arquitetônico.

Em contraste com a madeira e a pedra, a bancada de aço inox desenvolvida pelo Studio Inox 304 introduz uma camada contemporânea à composição. A superfície polida e refletiva representa o avanço tecnológico e convida à contemplação, criando um contraponto entre matéria bruta e precisão industrial. O material também dialoga com questões atuais relacionadas à durabilidade e à sustentabilidade, ampliando a discussão proposta pelo ambiente.

A experiência é complementada por uma curadoria de arte que reúne obras de Carlos Araújo, Annike Limborço, Hanna Dank e Adriano Pacelli. Em vez de atuar apenas como complemento estético, cada trabalho integra a narrativa construída por Camilo Jr., estabelecendo relações entre paisagem, memória, tempo e transformação.

Ao percorrer o Espaço Gênese, fica evidente que nenhuma escolha acontece de forma isolada. Pedra, madeira, aço e arte compartilham o mesmo papel dentro da narrativa concebida pelo arquiteto, conduzindo o visitante por uma sequência de descobertas que vai da matéria primordial às possibilidades do futuro. É um ambiente que desperta curiosidade justamente porque convida a ser observado sem pressa – permitindo que cada textura, reflexo e detalhe revelem uma nova camada da história que o projeto se propõe a contar.




