
Na CASACOR São Paulo 2026, o Hall Tempo de Chegar, do Duno Arquitetura, parte de uma reflexão bastante atual: em um cotidiano marcado pela velocidade, a entrada da casa deixa de ser apenas um local de passagem para assumir o papel de pausa. Em apenas 21 m², as arquitetas Fernanda Prado e Catarina Biselli transformam o percurso entre o exterior e o interior em uma experiência contemplativa, onde materiais, luz e formas convidam o visitante a desacelerar antes de seguir para os demais ambientes.

A narrativa ganha força sobretudo por meio da marcenaria, executada pela Heston Ambientes, que desenha todo o percurso do espaço. Painéis de madeira em curvas contínuas envolvem o hall e conduzem naturalmente o olhar até o canto de leitura, criando uma arquitetura fluida, sem interrupções visuais. Mais do que delimitar o ambiente, a solução funciona como elemento estruturador do projeto, conferindo movimento, profundidade e uma sensação de acolhimento desde os primeiros passos.

Os painéis acompanham diferentes raios e alturas, incorporam nichos iluminados para livros, ampulhetas e objetos decorativos e ainda integram um banco esculpido na própria composição. O resultado é uma marcenaria que extrapola sua função utilitária para assumir protagonismo arquitetônico, dialogando com a iluminação indireta e valorizando a continuidade das formas.

A materialidade reforça a proposta sensorial do ambiente. A madeira de tonalidade quente encontra contraponto no grande painel de pedra natural ao fundo e no tapete orgânico que delimita o espaço de permanência. Ao lado da poltrona de leitura, a iluminação suave e os objetos que remetem à passagem do tempo – como relógios e ampulhetas – ampliam a narrativa concebida pelo escritório, segundo a qual morar significa habitar o tempo, e não apenas ocupar um espaço.
Ao priorizar soluções sob medida, o projeto demonstra como a marcenaria pode assumir um papel determinante na construção da atmosfera de um ambiente. No Hall Tempo de Chegar, ela não aparece apenas como acabamento, mas como linguagem arquitetônica capaz de organizar a circulação, criar permanências e traduzir, em matéria e desenho.




