Eduardo Baldelomar reinterpreta o barroco mestiço na CASACOR SP 2026

No Co-Living Chiquitano, o arquiteto transforma referências das missões jesuíticas da Chiquitania em um ambiente que une memória, artesanato e design contemporâneo
A cadeira Fever, da Full House, ao centro da imagem, dialoga com a paleta terrosa e as formas orgânicas do Co-Living Chiquitano | Foto: Carolina Mossin/Divulgação

O Co-Living Chiquitano, assinado por Eduardo Baldelomar (@eduardobaldelomar_designer) para a CASACOR São Paulo 2026, convida o visitante a uma imersão na história e na identidade da Chiquitania, região localizada no leste da Bolívia. Em um espaço de 32 m², o arquiteto parte de uma pesquisa aprofundada sobre suas próprias origens para construir uma narrativa que conecta arquitetura, arte e memória, revelando um patrimônio cultural ainda pouco conhecido fora do país.

Materiais naturais, obras de artistas bolivianos e iluminação acolhedora compõem a copa gourmet do Co-Living Chiquitano | Foto: Carolina Mossin/Divulgação

Guiado pelo tema “Mente e Coração” da mostra, o projeto resgata referências da arquitetura barroca mestiça presente nas missões jesuíticas da Chiquitania. Arcos segmentados, forro curvo, madeira em abundância e detalhes inspirados nas ornamentações históricas reinterpretam esses elementos sob um olhar contemporâneo, enquanto pinturas, esculturas, fotografias, máscaras e objetos artesanais transformam o ambiente em uma verdadeira galeria viva da cultura boliviana.

O sofá Villa Lobos e as mesas laterais Alexandria, da Full House, reforçam o clima acolhedor, onde arte, memória e design se encontram | Foto: Carolina Mossin/Divulgação

A narrativa se fortalece por meio da curadoria, que reúne mais de 200 peças produzidas por artistas e artesãos bolivianos ou garimpadas pelo próprio arquiteto durante suas viagens à região. Obras de arte, partituras barrocas, cerâmicas, instrumentos musicais e elementos religiosos ajudam a contar uma história de resistência cultural, ao mesmo tempo em que aproximam o visitante das tradições preservadas pelas comunidades chiquitanas. Cada detalhe foi pensado para despertar contemplação e pertencimento, reforçando o papel da arquitetura como instrumento de preservação da memória.

Obras de arte, máscaras e objetos garimpados na Chiquitania transformam o ambiente em uma galeria viva, enquanto o Banco Oniros, da Full House, reforça a proposta de acolhimento do projeto | Foto: Carolina Mossin/Divulgação

O mobiliário desempenha um papel essencial nessa construção. Com peças de desenho orgânico e volumetrias acolhedoras, a composição privilegia o conforto e estimula a permanência no espaço, dialogando com a proposta de desaceleração defendida pelo projeto. Sofás, poltronas, mesas, bancos e aparadores da Full House contribuem para equilibrar funcionalidade e expressão estética, reforçando a atmosfera intimista criada pela combinação entre materiais naturais, iluminação indireta e tons terrosos.

As poltronas revestidas com tecidos artesanais dialogam com a mesa lateral Accord, da Full House, em uma composição que valoriza o design e os saberes tradicionais | Foto: Carolina Mossin/Divulgação

Ao transformar referências ancestrais em uma leitura contemporânea do morar, Baldelomar propõe uma reflexão sobre identidade latino-americana e intercâmbio cultural. Mais do que apresentar um recorte da arquitetura boliviana, o Co-Living Chiquitano evidencia como design, artesanato e arquitetura podem atuar em conjunto para preservar histórias e aproximar pessoas.

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