Ambiente da CASACOR SP transforma partitura em arquitetura sensorial

No ambiente de Rafaella Manso, um piano de família inspira uma experiência que traduz memória, ritmo e contemplação por meio da arquitetura
A marcenaria sob medida organiza o lounge e cria nichos para obras de arte e objetos afetivos, reforçando a narrativa do ambiente | Foto: Roberta Gewehr/Divulgação

Em vez de pensar a arquitetura apenas como espaço de passagem, Rafaella Manso (@rafaellamansoarq) propõe um percurso de desaceleração na CASACOR São Paulo 2026. No ambiente Notas em Linhas, um lounge integrado à circulação vertical ganha contornos sensoriais ao transformar uma memória de infância em narrativa espacial. O ponto de partida é um piano de 1951, herdado da avó da arquiteta, que deixa de ser um objeto decorativo para assumir o papel de elemento central da composição.

A paleta de tons amadeirados e neutros contribui para criar uma atmosfera serena, em contraste com os pontos de destaque do projeto | Foto: Fernando Crescenti/Divulgação

Alinhado ao tema da mostra, Mente e Coração, o projeto traduz essa dualidade por meio da materialidade. Enquanto tons terrosos, superfícies suaves e iluminação difusa criam uma atmosfera silenciosa e acolhedora, um tablado de mármore vermelho concentra a carga emocional do ambiente e destaca o piano como símbolo de afeto e pertencimento.

As formas orgânicas do sofá reforçam o lounge como um espaço de pausa e convivência, convidando o visitante a permanecer no ambiente | Foto: Fernando Crescenti/Divulgação

As linhas aparecem como fio condutor do projeto. Inspiradas nas partituras musicais, elas percorrem o desenho do tapete, do tablado e do móbile suspenso sobre a escada, estabelecendo ritmo visual sem recorrer a uma representação literal da música. O percurso é complementado por um vitral concebido a partir da sequência de Fibonacci e da proporção áurea, que transforma a incidência da luz em parte da experiência arquitetônica.

Além de organizar o espaço, a marcenaria incorpora o acesso ao elevador e cria uma composição contínua para livros, obras de arte e objetos decorativos | Foto: Fernando Crescenti/Divulgação

Outro destaque está na intervenção respeitosa sobre o imóvel histórico. O piso original de granilite foi preservado, assim como as molduras de gesso, que serviram de referência para o desenho do novo forro. Em vez de ocultar as características existentes, a proposta evidencia a arquitetura original e estabelece um diálogo entre passado e presente, reforçado pelo uso de tapeçaria, vitral, macramê e outros elementos produzidos artesanalmente.

Desenhado a partir da sequência de Fibonacci e da proporção áurea, o vitral reforça a conexão entre arquitetura e linguagem musical | Foto: Fernando Crescenti/Divulgação

A sustentabilidade também integra o conceito do ambiente. A especificação prioriza materiais de menor impacto ambiental, fornecedores com processos responsáveis e soluções duráveis, além de contar com uma Avaliação do Ciclo de Vida para mensurar os impactos ambientais do projeto. O resultado é um espaço em que memória, arquitetura e responsabilidade ambiental se encontram para criar uma experiência contemplativa, na qual o visitante é convidado a diminuir o ritmo e redescobrir o valor do pertencimento.

Mais do que um instrumento musical, o piano de 1951 funciona como ponto de partida para a narrativa afetiva que orienta todo o projeto | Foto: Fernando Crescenti/Divulgação

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