Casa de praia na Bahia tem cobogó como elemento central da arquitetura

No litoral baiano, residência de 400 m² se organiza entre jardins, luz filtrada e ventilação constante, com o cobogó reinterpretado como elemento que aproxima a casa da paisagem
Projeto responde ao clima, valoriza o convívio e estabelece uma relação sensível com o entorno | Foto: Tarso Figueira/Divulgação

No litoral baiano, o projeto desta residência parte de uma condição precisa: um terreno de esquina, no último lote da rua, exposto ao sol poente e a ventos constantes. Desde o início, a leitura dessas condições conduziu as decisões das arquitetas Fernanda e Bruna Milcent, do Milcent Arquitetura (@milcentarquitetura), resultando em soluções alinhadas ao clima e ao modo de viver de uma família que faz da casa seu espaço para encontros.

A proximidade com o Parque Natural Municipal da Restinga de Praia do Forte – ao lado do terreno – reforçou a intenção de manter o entorno sempre visível. “Pensamos em uma casa entre jardins, de forma que criasse uma continuidade visual de todo o verde”, explicam as arquitetas.

“O cobogó foi reinterpretado como elemento central do projeto, funcionando como filtro de luz, ventilação e identidade visual” — BRUNA MILCENT

Assim, o cobogó se tornou elemento estruturador. Reinterpretado ao longo da fachada, ele garante ventilação cruzada, filtra a luz e preserva a continuidade visual com a paisagem. O desenho vazado cria uma trama que, além de responder ao clima, define a identidade da casa – visível mesmo à distância.

Fachada da residência combina painéis de madeira, esquadrias amplas e o cobogó, elemento que filtra a luz e favorece a ventilação natural. O paisagismo reforça a integração da casa com a vegetação do entorno | Foto: Tarso Figueira/Divulgação

Com cerca de 400 m² de área construída, a residência é composta por dois pavimentos. No térreo, as áreas sociais se distribuem de forma fluida. Estar, jantar e cozinha compartilham o mesmo campo, conectados ao jardim e à área externa por amplas esquadrias. O piso contínuo reforça essa leitura integrada, enquanto os materiais naturais aproximam os ambientes de uma escala mais tátil.

A arquiteta Bruna Milcent na área gourmet, onde pontos de cor, como o azul da marcenaria da Florense Salvador, trazem frescor e personalidade. O teto em palha de taliscas de dendê reforça a atmosfera leve, acolhedora e conectada ao clima litorâneo | Foto: Tarso Figueira/Divulgação

A área gourmet concentra o convívio e sintetiza essa dinâmica. Concebida para receber com generosidade, reúne churrasqueira, ilha e uma mesa posicionada junto ao cobogó. Ao longo do dia, a luz atravessa os elementos vazados e projeta desenhos móveis sobre as superfícies, criando uma atmosfera que muda com o tempo e intensifica a experiência de permanência.

A área externa reúne estar, cozinha e área gourmet junto à piscina, sob cobertura em palha de taliscas de dendê. O cobogó filtra a incidência solar e estabelece uma conexão visual contínua com o jardim | Foto: Tarso Figueira/Divulgação

A materialidade reforça a aproximação com o local. O forro de palha de taliscas de dendê introduz textura e leveza, enquanto o deque de cumaru e o pergolado emde eucalipto ampliam a presença dos elementos naturais. Na área externa, a piscina com prainha e o banho romano organizam o espaço de lazer em diálogo constante com a vegetação.

Na sala de estar, a Chaise Calliope, desenhada pelo designer brasileiro Fernando Motta, ganha destaque diante do sofá. O ambiente combina madeira, fibras naturais e amplas aberturas, reforçando a conexão entre os espaços internos e o jardim | Foto: Tarso Figueira/Divulgação

No pavimento superior, a casa adota um ritmo mais contido. As cinco suítes seguem uma linguagem serena, com paleta neutra, tecidos naturais e aberturas voltadas para a paisagem. A relação com o exterior permanece, mediada por um uso mais silencioso.

Grandes aberturas e panos de vidro conectam os ambientes ao jardim e à área externa | Foto: Tarso Figueira/Divulgação

Entre abertura e recolhimento, a casa encontra sua expressão. Sem gestos excessivos, constrói-se por relações sutis, em uma arquitetura que define a maneira de viver de quem a habita.

A sala de jantar é marcada pela mesa de madeira e pelo conjunto de cadeiras em couro e madeira. Ao fundo, o cobogó cria um filtro visual para o jardim, enquanto o forro em palha de taliscas de dendê reforça a materialidade natural do ambiente | Foto: Tarso Figueira/Divulgação

“O projeto adota um estilo contemporâneo, que combina soluções arquitetônicas atuais com referências regionais, explorando materiais naturais, elementos vazados e biofilia” — FERNANDA MILCENT

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