Marcenaria planejada organiza estúdio de 53 m² na CASACOR SP

Na Casa Origens, o Studio Costa + Azevedo combina peças garimpadas, design brasileiro e mobiliário planejado para criar um estúdio que privilegia flexibilidade, memória afetiva e integração dos espaços
A convivência entre clássicos do design, obras de arte e objetos garimpados transforma a área social em um espaço que revela diferentes camadas de memória e personalidade | Foto: MCA Estúdio/Divulgação

Em um estúdio de 53 m² apresentado na CASACOR São Paulo 2026, o Studio Costa + Azevedo (@studiocostaazevedo) propõe um olhar sobre o morar que nasce das lembranças, das coleções construídas ao longo do tempo e da convivência entre diferentes linguagens do design. Batizado de Casa Origens, o ambiente evita compartimentações excessivas para privilegiar a fluidez dos espaços e permitir que arquitetura, arte e mobiliário dialoguem de forma contínua.

O hall de entrada funciona como um espaço de transição, marcado pelo cobogó autoral em tom marsala que introduz a linguagem material e estética do ambiente | Foto: MCA Estúdio/Divulgação

A marcenaria é o elemento que organiza essa narrativa. Desenvolvida em parceria com a Criare, ela percorre praticamente todo o estúdio, conectando áreas sociais, cozinha e dormitório sob uma mesma linguagem material. O padrão Harmony aquece o ambiente, enquanto soluções como portas com fecho toque e armários que se integram às paredes ajudam a preservar uma leitura limpa e contínua. Já no interior dos armários, o padrão Finesse introduz um desenho geométrico discreto, revelado apenas quando as portas são abertas.

Na cozinha, o painel de pedra natural cria um contraponto às superfícies amadeiradas e delimita a área de preparo sem interromper a continuidade visual do ambiente | Foto: MCA Estúdio/Divulgação

Um dos pontos centrais do projeto é a estante desenhada pelos próprios arquitetos, que assume o protagonismo da área social. Com cruzetas de aço inox incrustadas na madeira, a peça combina precisão construtiva e personalidade, funcionando tanto como elemento expositivo quanto organizador do espaço. Ao redor dela, móveis assinados por nomes como Le Corbusier, George Nelson, Ernesto Hauner e Martin Eisler convivem com criações contemporâneas e objetos garimpados, construindo um repertório que atravessa décadas sem perder unidade.

O dormitório integra área de descanso e espaço de trabalho em uma composição contínua, marcada pela marcenaria e pela cortina de teto ao piso que aquece o ambiente | Foto: MCA Estúdio/Divulgação

Essa sobreposição de referências aparece desde a entrada, concebida como uma caixa cenográfica que marca a passagem entre a mostra e o universo doméstico. O cobogó desenhado pelo escritório, executado de MDF na tonalidade marsala, antecipa a atenção aos detalhes e reforça o caráter autoral do ambiente. Na área íntima, o painel estofado da cabeceira acrescenta conforto visual, enquanto uma grande escotilha de vidro canelado conecta banheiro e sala através de um jogo sutil entre transparência e privacidade.

O banheiro se conecta visualmente ao dormitório por meio de uma escotilha de vidro canelado, solução que cria profundidade sem comprometer a privacidade | Foto: MCA Estúdio/Divulgação

Mais do que reunir peças de diferentes períodos, a Casa Origens mostra como soluções planejadas podem servir de base para um morar que evolui com o tempo. Em vez de definir uma estética única, o projeto abre espaço para que objetos, memórias e novas aquisições encontrem lugar em uma arquitetura pensada para acompanhar as transformações da vida cotidiana.

Leia mais