Reptilia celebra 13 anos com exposição de peças icônicas em São Paulo

Retrospectiva no Instituto Brasileiro de Teatro reúne criações que traduzem o DNA da marca de Heloisa Strobel, entre volumes arquitetônicos, experimentações têxteis e produção consciente
Exposição retrospectiva da Reptilia reúne peças que marcaram a trajetória de 13 anos da marca, apresentadas de forma suspensa para valorizar suas silhuetas e volumes | Foto: Divulgação

A Reptilia completa 13 anos de trajetória revisitando as criações que ajudaram a construir sua identidade. Fundada pela arquiteta e estilista Heloisa Strobel, a marca apresenta em São Paulo uma exposição retrospectiva que reúne peças-símbolo de diferentes momentos de sua história, revelando a evolução de uma linguagem marcada pelo diálogo entre moda, arquitetura, design e experimentação têxtil. A iniciativa também apresenta a coleção Primavera-Verão 2027, Calor Urbano, e propõe encontros com profissionais e estudantes de moda.

A exposição também apresenta registros da trajetória da Reptilia, revelando diferentes criações e momentos que contribuíram para a construção do repertório visual da marca | Foto: Divulgação

Realizada no Instituto Brasileiro de Teatro (iBT), a mostra organiza as peças de maneira suspensa, em estruturas fixadas no teto, para que volumes, silhuetas e construções possam ser observados sem a interferência dos movimentos do corpo. Entre os destaques estão criações que se tornaram recorrentes no repertório da Reptilia, como a Jaqueta Anjo e a Camisa Laço. A escolha reforça uma característica presente desde os primeiros trabalhos de Heloisa: pensar a roupa também como objeto e construção espacial.

Vista geral da mostra reúne peças de diferentes coleções da Reptilia, evidenciando a diversidade de formas, volumes, texturas e materiais explorados pela marca ao longo de sua trajetória | Foto: Divulgação

Esse olhar para a materialidade também aparece em Fragmentos, linha permanente desenvolvida a partir da preocupação com os resíduos da indústria da moda. Criada durante a pandemia, a coleção aproveita recortes de tecidos provenientes da produção das peças sazonais, armazenados e organizados no ateliê para ganhar novas formas. Enquanto o processo convencional de corte pode descartar cerca de 15% da matéria-prima usada, na Reptilia o índice é próximo de zero, transformando o que seria sobra em matéria para novas criações.

A retrospectiva encontra seu contraponto no presente com Calor Urbano, coleção que parte das transformações climáticas para repensar o vestir cotidiano. A proposta combina conforto, leveza e fluidez a materiais e processos que buscam reduzir o impacto ambiental. O denim, por exemplo, é produzido com algodão brasileiro certificado e rastreável e recebe seus efeitos diretamente no tear, dispensando processos convencionais de lavanderia e clareamento químico – uma escolha que, segundo a marca, evita o consumo de 30 a 50 L de água e reduz emissões de CO₂.

Heloisa Strobel, fundadora e diretora criativa da Reptilia, durante o encontro realizado no espaço da exposição, com peças da marca ao fundo | Foto: Divulgação

À frente da Reptilia, Heloisa construiu esse repertório a partir de referências do design, da arte e da arquitetura, influências que também atravessam sua experiência profissional no escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados. Desde 2013, quando a marca começou como um projeto experimental durante sua formação em Design de Moda, a estilista desenvolveu um método próprio de produção e consolidou uma estética baseada em shapes arquitetônicos, pesquisa de materiais e slow fashion. A trajetória inclui ainda passagens pela Who’s Next, em Paris, Casa de Criadores, South Africa Fashion Week e, em 2024, a estreia da Reptilia no line-up oficial da São Paulo Fashion Week.

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