Apartamento dos anos 1960 ganha planta fluida e atmosfera de casa

Ao reformar um apartamento de 250 m² em um edifício dos anos 1960, a arquiteta Marina Mello criou uma planta integrada, cheia de luz natural, ventilação cruzada e soluções que preservam a sensação de morar em uma casa cercada por verde

Uma página em branco para escrever novos capítulos. Era o que a arquiteta Marina Mello, do escritório Terça Arquitetura (@tercaarquitetura), e seu marido, Gustavo Moreau, designer de mobiliário da Mobu Atelier e Timor Bio, buscavam em um apartamento. E encontraram. O imóvel de 250 m², localizado em um edifício dos anos 1960 no bairro Cerqueira César, em São Paulo, reunia todas as características desejadas pela dupla para viver com seus dois cachorros, George e Mbali: ampla vista, mais espaço e jeito de casa.

Apartamento com jeito de casa e living repleto de plantas
Rodeado por janelas do piso ao teto, o living é marcado pela abundância de plantas, com paisagismo assinado por Denise Mori, e por uma paleta de cores vibrantes. As poltronas Barcelona, de Mies van der Rohe, e as luminárias de piso de Mel Kawahara completam a composição | Foto: Manuel Sá/Divulgação

“Morávamos em uma casinha de vila muito gostosa, mas queríamos uma mudança de ares sem abrir mão da sensação de estar com os pés no chão, cercados por plantas e pela nossa horta”, conta Marina.

Sala de estar com sofá Maralunga
O sofá Maralunga, de Vico Magistretti, e a mesa de centro desenhada por Gustavo Moreau criam um estar repleto de personalidade | Foto: Manuel Sá/Divulgação

Como a cozinha e a área de serviço eram excessivamente grandes e um dos banheiros atendia dois dos três quartos, foi preciso um intenso trabalho de demolição para adaptar a planta às necessidades do casal. Também arquiteto, Rogério Batagliesi, padrasto de Gustavo, participou dessa primeira etapa da obra ao lado de Marina.

Arquiteta Marina Mello no living
A arquiteta Marina Mello posa no living do apartamento | Foto: Manuel Sá/Divulgação

O layout foi completamente redesenhado. Além da redução da cozinha e da lavanderia, os ambientes ganharam um jogo de revestimentos marcante: os tijolinhos revestem paredes e parte do piso até encontrarem, de forma orgânica, o taco de peroba-do-campo. “Isso traz aconchego e uma deliciosa sensação de jardim”, explica Marina.

Cozinha com tijolinhos e taco de madeira
Na cozinha, o encontro entre tijolinhos e taco de peroba-do-campo cria uma transição orgânica entre os revestimentos | Foto: Manuel Sá/Divulgação

O living, que reúne estar, jantar e TV, foi organizado por uma divisória autoportante diagonal, responsável por delimitar os ambientes sem comprometer a entrada de luz natural nem a ventilação cruzada. Outro destaque é a estrutura original do edifício: os pilares foram expostos e receberam uma nova concretagem, passando de uma seção quadrada de 25 x 25 cm para elementos circulares de 40 cm de diâmetro.

Sala de TV integrada para pets
A sala de TV, favorita dos cães George e Mbali, recebeu tapete e cortinas de linho para ampliar a sensação de aconchego | Foto: Manuel Sá/Divulgação

A decoração valoriza peças de design com história. O sofá Maralunga, que já pertencia à família, divide o espaço com as poltronas Barcelona. Ao centro, a mesa desenhada por Gustavo Moreau chama atenção: esculpida em mármore Imperador, tem uma tábua removível para servir pães e aperitivos e um compartimento inferior para guardar baralhos.

Mesa de jantar suspensa em madeira maciça
A mesa de jantar de madeira maciça, desenhada por Gustavo Moreau, é suspensa em balanço e ancorada ao pilar estrutural | Foto: Manuel Sá/Divulgação

Também desenhada pelo morador, a mesa de jantar de madeira maciça permanece suspensa graças a uma viga metálica engastada no pilar do edifício. As cadeiras Cesca, de Marcel Breuer, pertenciam ao casal e foram restauradas para integrar a composição.

Suíte com marcenaria integrada
A suíte máster privilegia tons neutros, enquanto a marcenaria foi desenhada para se integrar às paredes e assumir aspecto de painel | Foto: Manuel Sá/Divulgação

“Nos quartos, removemos todas as paredes e redistribuímos os espaços para ampliar a suíte máster e criar um home office confortável”, explica Marina.

Home office com bicicletas e instrumentos musicais
O escritório reúne bicicletas, instrumentos musicais e iluminação com trilhos de spots da Reka Iluminação | Foto: Manuel Sá/Divulgação

No escritório, um espaço foi reservado para os instrumentos musicais e as bicicletas de Gustavo. O mosaico colorido da parede foi pintado pelo casal com sobras das tintas usadas nas portas da cozinha e da lavanderia.

“Esta é nossa primeira casa feita em conjunto. Queremos que o apartamento cresça com o nosso casamento, refletindo nossas fases, nossos momentos e nossa história”, finaliza Marina.

Home office com mosaico colorido
Outro ângulo do home office revela o mosaico pintado pelo casal com sobras de tinta usadas na cozinha e na lavanderia | Foto: Manuel Sá/Divulgação

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