Apartamento dos anos 1970 ganha varanda integrada e piso restaurado

O projeto preserva memórias afetivas da família com recuperação de materiais originais, mosaico de caquinhos e ambientes multifuncionais

A transformação pela qual passou este apartamento representa uma reforma ímpar realizada em um imóvel dos anos 1970. Quando os clientes procuraram o escritório Go Up Arquitetura (@gouparquitetura), expressaram o desejo não apenas de renovar o ambiente, mas também de preservar as memórias afetivas ligadas àquele espaço. Queriam que cada cantinho e elemento na transformação contasse uma história que remetesse às lembranças de suas infâncias.

A recuperação do piso original de ipê, executado com tábuas largas raras em empreendimentos contemporâneos, reforça a identidade do apartamento e dialoga com a paleta vibrante adotada na reforma | Foto: Robson Figueiredo/Divulgação

Desde o início, a vontade era que o apartamento tivesse uma vibe única, com cores vibrantes, obras de arte e peças de design. Um mix cuidadoso de itens garimpados, contemporâneos e artesanais resultou em um espaço cheio de personalidade. As arquitetas Juliana Silva e Amanda Mori criaram um ambiente que atende às necessidades diárias da família, proporcionando um local para refeições e, ao mesmo tempo, transformando uma sala comum em uma sala de música e mídia.

Antes restrita à circulação, a área foi incorporada ao convívio da casa e passou a abrigar um espaço dedicado à música, reforçando o caráter multifuncional do projeto | Foto: Robson Figueiredo/Divulgação

Antes subutilizada, essa sala servia apenas como área de passagem, foi então integrada à área principal, ampliando significativamente o espaço do living que também foi integrado à varanda. Destaque especial foi dado a um elemento central curvo, onde aplicaram um mosaico de caquinhos, resgatando o piso que fazia parte da casa da infância do cliente. A escolha de dois tons de caquinhos, branco na parede e cor-de-rosa no piso da varanda, harmonizaram com o azul escolhido desde o início.

A composição reúne obras de arte, mobiliário garimpado e peças herdadas, refletindo a proposta de construir um lar pautado por histórias pessoais e objetos com significado | Foto: Robson Figueiredo/Divulgação

Foi feito um mix de itens com peças de design contemporâneas e vintage, e clássicos, como a cadeira Paulistana, que divide espaço com peças de varejo e artesanais.

A integração da antiga varanda ao living abriu espaço para um canto de estar banhado por luz natural, onde a poltrona Mole, de Sergio Rodrigues, reforça a proposta de mesclar peças icônicas, garimpos e mobiliário contemporâneo | Foto: Robson Figueiredo/Divulgação

Um dos itens foi uma mesa de madrepérola que pertencia ao avô do cliente e foi restaurada por uma empresa especializada. Assim como também foi restaurado o piso de madeira de tábuas grandes de Ipê, uma raridade nos apartamentos mais contemporâneos. Outro desafio foi encontrar uma peça de mármore para fazer um complemento do piso existente, já que está em extinção. Foi realizada uma pesquisa intensa para encontrar uma empresa que fornecesse o material necessário.

A parede livre de equipamentos aparentes foi planejada para receber a projeção de um projetor, solução que preserva a leveza visual da sala e amplia a flexibilidade de uso do ambiente | Foto: Robson Figueiredo/Divulgação

Um elemento interessante no projeto é a televisão, que, na verdade, é um projetor. Para emoldurar a projeção, criaram uma borda na parede, proporcionando não apenas funcionalidade, mas também um toque estético. A integração da varanda na sala não apenas trouxe luz natural, mas também permitiu a criação de um espaço iluminado, controlado por persianas no vidro, teto e parede.

O painel de fotografias reúne registros da trajetória da família e reforça o conceito do projeto de transformar a memória afetiva em elemento ativo da decoração | Foto: Robson Figueiredo/Divulgação

A iluminação é um destaque crucial no projeto. Além de ser controlada por persianas estrategicamente colocadas, a luz é refletida por um espelho oposto à sala de jantar. Essa técnica intensifica e suaviza simultaneamente a luz, criando um ambiente permeado por uma luminosidade agradável.

A volumetria curva recebeu revestimento com mosaico de caquinhos brancos, solução que remete ao repertório afetivo dos moradores e ajuda a suavizar a circulação entre os ambientes integrados | Foto: Robson Figueiredo/Divulgação

O projeto vai além de uma simples renovação; é uma celebração das memórias afetivas, uma fusão harmoniosa de elementos que contam histórias em um espaço multifuncional e atende às necessidades cotidianas de uma família. O resultado é um ambiente que não apenas encanta visualmente, mas também ressoa emocionalmente, cumprindo os desejos e anseios de quem mora.

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